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A dificuldade da espera…

  • Posted on abril 3, 2012 at 20:25

Meu sonho de ser mãe sempre foi muito forte dentro de mim, desde muito nova. Eu e meu marido somos apaixonados por crianças e nos damos muito bem com todas elas, e a decisão de nos tornarmos enfim papais aconteceu no início de 2011. Mas tinha uma dúvida imensa no meu coração: será que as quimioterapias haviam afetado minha fertilidade? Não foi nada fácil quando ouvi da minha Hematologista, antes mesmo de iniciar o tratamento, que isso poderia sim acontecer….eu passaria os meses de tratamento sem menstruar, e quando tudo terminasse, se os ciclos voltassem ao normal seria um ótimo sinal, porém não me daria certeza alguma se iria poder ter filhos futuramente. Foi o que aconteceu e se não fosse as fortes anemias(por conta das fortes hemorragias), poderia já ter feito em 2008 testes para saber se estava ou não ovulando normalmente.

O tempo passou e quando consultei uma ginecologista aqui de Campinas, ela me disse que deveríamos primeiro tentar engravidar para depois nos preocuparmos com minha fertilidade. E assim fizemos, depois de realizar todos os exames para saber se minha saúde estava realmente ótima, colocar as vacinas em dia, decidimos tentar. E conseguimos já na primeira tentativa, em junho de 2011! Foi emocionante! Uma felicidade que não cabia dentro de nós, ficamos bobos, fizemos planos, mas apareceram as cólicas acompanhadas de borras cor café-com-leite na calcinha…e minha médica, de férias. Liguei no consultório e a secretária disse que não tinha autorização para me dar o telefone dela e o jeito foi apelar para o contato por email, que ela demorou 4 dias intermináveis para responder, eu com cólicas e com o corrimento durante todo esse tempo. No email, a médica disse que era tudo normal, que não havia motivos para preocupação. Não me pediu repouso, nada, falou para continuar minha vida normalmente. Passaram mais 2 semanas, e as cólicas vinham e iam, as borras também, mas nada da médica voltar de viagem, somente consegui minha primeira consulta de pré-natal para dia 15 de agosto, quando já estaria com quase 8 semanas.

Numa quinta -feira, dia 11 de agosto, a cólica veio fortíssima e uma mancha de sangue apareceu, junto com nosso total desespero. Achamos melhor eu me deitar, e tentar dormir, pois aqueles dias eu havia trabalhado bastante. Na sexta-feira, dia 12, já levantei com a calcinha encharcada de sangue e corremos para a Maternidade de Campinas, onde fui muito mal atendida! O médico mal olhou na minha cara, pediu um ultrassom para “ver se realmente tinha um embrião”…no ultrassom, não me deram nenhum avental, não havia um banheiro para minha higiene(eu estava sangrando horrores) e a médica do ultrassom não me falou nem bom dia, não me explicou o que estava acontendo, nada…e no fim das contas o médico, ao olhar o ultrassom disse: “É Caroline, pode até ser que você tenha estado grávida, mas não tem embrião aqui”.

Eu sabia que num ultrassom feito com 7 semanas pode não se conseguir ver o embrião, isso acontece com algumas mulheres e decidi ligar no consultório da médica. Primeiro a secretária falou que a orientação era para que eu fosse para a Maternindade, só depois ela entendeu que eu já havia feito isso e que precisava de um atendimento melhor. E fomos ao consultório. Ela me examinou e disse que não sabia se eu havia perdido ou se estava perdendo meu bebê e pediu que eu ficasse em repouso absoluto por uma semana e repetisse o exame. E aí começou a luta com a Unimed Campinas que não queria autorizar meu exame…desculpem a sinceridade, mas a Unimed Campinas é horrível! Depois de muita briga, em que a própria médica precisou falar com o auditor, realizei o exame e confirmou minha perda…o dia mais triste de toda a minha vida!

Não foi fácil para mim e para o meu marido esse momento, foi o mais triste, o mais desesperador…perder um bebê dói demais, profundamente, e só quem já passou por isso sabe. E graças a Deus tenho meus pais, irmãos e um casal de primos do meu marido…que foram as pessoas que realmente nos ajudaram…os abraços e carinhos que recebemos nesse momento foi muito importante para nosso conforto…eu chorei um mês sem parar, e somente superamos tudo depois de uns 3 meses, quando decidimos tentar engravidar novamente.

Só que dessa vez não conseguimos na primeira tentativa. Cada vez que a menstruação vinha, era muito frustante! E como se não bastasse, em janeiro, comecei a me sentir extremamente cansada, muito indisposta e sonolenta…cheguei até a pensar em gravidez, mas quando soube que não era, veio a dúvida de que minha imunidade, que foi super afetada com as quimios, poderia estar baixa mais uma vez. E a médica pediu Hemograma(imunidade) e TSH(tireóide), e esse último deu alterado.

Nesse período, já havíamos decidido mudar de obstetra, que me orientou melhor quanto ao problema da tireóide, antes mesmo de conseguir a consulta com o endócrino, o que me deixou bem mais calma quanto ao problema da tireóide, pois o hipotireoidismo pode afetar a ovulação. Repeti os exames, e fiz outros para saber da ovulação que deram aparentemente normais, exceto a prolactina que deu alterada. Eu precisava realizar os exames da ovulação novamente, no terceiro dia do ciclo menstrual…e para nossa surpresa, atrasou…no terceiro dia de atraso minha médica pediu que eu fizesse o beta…e enfim veio meu positivo!!! Foi muito emocionante, demorei dias para acreditar que tudo isso era mesmo verdade e meu coração só se acalmou quando fizemos o primeiro ultrassom, com 6 semanas e 4 dias…e vimos nosso nenémzinho, com 7 mm de tamanho e coraçãozinho batendo a 120 bpm!!!

Bem…não foi nada fácil, sei que muitos casais passam por dúvidas, ansiedade, medo…mas eu posso dizer que as coisas só acontecem mesmo no tempo de Deus! Meu neném está aq, firme…tenho cólicas, mas não tenho as borras, usando progesterona…estou melhor assistida por minha atual obstetra, médica humanizada.

Posso dizer que vale muito a pena viver todas as emoções que já vivi até agora, nessas 8 semanas de vida do meu bebê!